Por VOA

Duas crianças com menos de cinco anos morrem em Angola a cada hora devido à fome, de acordo com dados revelados num relatório da Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP), sobre a desnutrição no país nos primeiros seis meses de 2020.

No total, 8.413 crianças morreram de um universo de 76.480 que deram entrada nos hospitais públicos do país.

O documento, a que o Novo Jornal teve acesso, indica que do total dos menores que procuraram hospitais, 11 por cento faleceram, 11 por cento abandonaram o tratamento, seis por cento não tiveram resposta ao tratamento e 72 por cento tiveram alta.

Além da falta de alimentos em vários lugares, há muito constatada e denunciada por organizações da sociedade civil, ativistas, imprensa e os próprios cidadãos, as autoridades, segundo reconhece a própria DNSP, enfrentam constantes rupturas de stock de produtos terapêuticos nos centros de saúde, atraso constante na planificação e o número insuficiente de pessoal capacitado para trata a desnutrição aguda.

Alerta da ONU

Em abril, o secretário-geral das Nações Unidos, António Guterres, alertou no Relatório Global de Crises Alimentares que o mundo arriscava-se a derrapar este ano para uma tragédia de fome “de proporções bíblicas” devido à pandemia de covid-19.

“Se nada for feito, o número de pessoas em risco de insegurança alimentar aguda no mundo pode mesmo quase duplicar este ano e chegar aos 265 milhões de vítimas, face aos 135 milhões de 2019”, lia-se no documento que, numa lista de 35 países, alertava para a situação de Angola.

“A insegurança alimentar aumentou devido à seca nas províncias do sul e o afluxo de refugiados da República Democrática do Congo”, concluiu o relatório, que indicou que essa situação estava a afetar mais de 562 mil pessoas..

A ONU concluiu que “mais de 8 por cento das crianças com menos de cinco anos sofriam de desnutrição grave e perto de 30 por cento tinham problemas de crescimento”.

O relatório foi publicado no início da pandemia do novo coronavírus.

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